domingo, 12 de fevereiro de 2012

Memento mori


Não sei do atual, mas há algum tempo tenho me dado conta da fragilidade de todos.
Não sei do atual, não sei o porquê da existência hipocondríaca.
Queria um estudo aprofundado sobre as loucuras da psiquê. Me seria de bom uso. Portanto... adentrando o fabuloso mundo memento mori, eis que me pego pensando sempre no legado de cada um, na dor, no que fica e no que se vai. É absurdo, eu sei (maison du diable), mas não posso evitar.
O que você vai deixar para mim? É uma questão do destino? Sentirei saudades?
É... só não me torne deus ao fim da estrada. Fui-me mortal, e assim sempre serei. A santidade deixo às pedras. Cisnes negros caminham pela lâmina aquática do sofrimento.
Medo só há na consequência, não em decorrências.
Será que alguém já encontrou-se no limbo mental? Onde não é exatamente clara a realidade do mito?
Como tornar-se mito, se tudo soa tão... tabu? Minotauro.
A roda do ka está sempre alerta e em movimento. Talvez todos necessitemos desses momentos de profunda reflexão e pseudo-retorno ao nosso lar pré-fecundativo. Talvez só eu e minhas ponderações precisem disso.
Não sei. Tenho ansiedade. E medo de estragar. Decepcionar.
E medo de me perder de vista de mim.
Medo de coisas que doam.
E de fracassar.
É tudo uma questão de como olhar o dado lançado. Aquele que se vê no espelho sou eu. Minha cabeça não está boa.
[filho de cuca legal]
A situação toda se define com meus cabelos. Eles falam por mim: pela rebeldia, pela descaracterização. Vejo o momento breve em que aquilo que tanto foi protegido e adorado, ser cortado sem dó. Porque é assim que eu funciono, enquanto me agrada, continua ali, mantém-se belo. Não me agrada mais - o corte é rápido.
Vale?
Quando o mestre vai, o aprendiz fica desfalcado. Não acredita e passar por alguns momentos malucos à la Kübler-Ross antes de procurar realizar a situação. Quando encontra a verdade, junto dela vem a beatificação e o arrependimento pelo não-feito; é dentro do aprendiz, somente, que nasce o ódio à inferiorização (inferioridade?) humana. Incomunicabilidade. Oportunidade. Não sei, divaguei nos meus próprios medos.
Desculpe pelo aspecto perdido. É tudo uma tentativa de contar o que anda tão profundamente segredado.
Há terra à vista. Só não sei ainda se estão devastadas ou não.
Prometa-me que quando dado o momento, não haverá arrependimento, nem dor. Haverá busca pelo dito e pelo feito. Os bons serão lembrados. Os ruins serão aprendidos. Lembrar-se-á do caminho individual e de que sempre tem algo para nos ser dado como ensinamento, ou presente.
Faço-me dia apenas para mim.
Faço-me difícil para por fim ser lembrado que vi  mudança e me tornei mudança. Abdico-me de tua ausência. Presenteio-me com a liberdade.

[and now I walk into the wild]

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