Dóris era uma garota ninfomaníaca.
Vivia com homens. Vivia nua, mal tinha tempo para as "coisas ruins da vida". Era daquelas que atualmente são chamadas de "boêmias". Eufemismo.
Provavelmente morreria no meio de um ápice sexual. Como todos nós.
Hoje era um dia atípico para ela - dia útil, sem feriado. Seu "boy escândalo" estava para chegar. Depois de um bom banho e duas horas em frente ao espelho e cheirando à alfazema, só lhe restava esperar.
Decidiu ver aquele filme. Pornô cult. Com pi(p/r)oca.
Sentou-se pronta para matar. O filme se iniciou de supetão.
E acabou, e ela se acabou nele também.
A campainha tocou. Dóris se levantou apressada e parou em frente à porta. Respirou e fingiu que mal sabia quem era. O boy a olhou.
E olhou de novo.
Estavam na cama.
E eles se divertiam, encontravam-se perdidos em meio aos lençóis, travesseiros, beijos e apertos. Ela não estava preocupada com os outros dois "escândalos"... aquele era único. Era o que a apetecia mais, que lhe permitia o apetite infinito. E então lhe fez de cavalo.
Sol, grama e vento. Cabelos ao vento! Corriam pelas montanhas veraneiras, sem destino. E cavalgavam. E tremiam. Pularam a cerca. Interior! E corriam e cavalgavam, corriam cavalgavam corriam cavalgavam... Co ca co ca co ca co ca co ca co ca co ca...
De repente, ela pensou que escorregaria. E lhe agarrou as mãos, ainda selada.
O choro veio gratuitamente. Complementou-se ao orgasmo.
O boy não entendeu absolutamente nada.
- Que houve?
- Eu te sinto! Eu te sinto! Eu te sinto!
Ele fingiu não ouvir, Dóris sabia que tinha fama de louca... Porém, ela não desistiu:
- Sinto suas raízes dentro de mim!
- O quê?! Grávida?
Ela não teve tempo de responder "Não! Apaixonada". Ele a jogou para o lado e saiu correndo, roupas à mão.
E deu-se o silêncio instantanizado.
Pensou em ligar para Alice, ou até mesmo ao esquizofrênico do Nico, mas preferiu vestir a calcinha e respirar fundo. Um, dois, três.
Sentindo-se frígida e brega, desceu à cozinha e sentada na pia, como tantas outras vezes já fizeram (sozinha ou com tantos outros homens), decidiu abrir o champagne.
Ela bebeu motivada. A garrafa inteira.
Bêbada, suada e molhada (entenda como quiser), dormiu com a fruteira à la Carmen Miranda. Não sem antes murmurar desconexa: "amanhã é dia do bofe".
E então ela sonhou com orgias zoófilas e pessoas correndo nuas em festas.
2 zascandil:
eu devo contaminar suas orelhas com o som produzido por minha "epifania". outrora, não fui ninfomaníaco. nem ao menos ansiei pela negação discrepante às faces do sexo diante de meus excertos. talvez, encontrei a verossimilhança de minhas bagagens inventadas, dentro desse porão de ideias úteis.
a utilidade é a maior das epifanias, portanto.
não discorro de qual vantagem me ponho a crer perante a solidão sexual breve. talvez, seja a mesma solidão que me alimenta a criatividade em demasia... mas vejo essa, agora, com pele de seda e temperatura amena: a solidão sexual é mais densa por enfatizar a aliteração da própria solidão.
é o complemento de duas cédulas embriagadas com o cheiro da unidade. não aceitamos a coletividade sem figuras de linguagem; ainda mais, durante um ato sexual.
o encontro desprezível dessas carnes fatigadas pelo suor,clama pela solidão. porém, quando a solidão os penetra - sem nenhuma incumbência fálica -, a amargura é sentida aos lábios, e o devaneio pede pelo colo da carne utópica.
não existirá um momento célebre em que o pensamento humano não vacilará entre o deserto, e o labirinto (:
Que lindo, Aleph. Sério.
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