sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Diálogo Calixtíco

As duas mulheres conversam sobre trivialidades. Banalidades. Futilidades.
É uma conversa acompanhada de João Gilberto e cigarro duvidoso. A temperatura é a ideal para vestir roupas leves - até certa nudez é permitida. Janela afora a cidade vive sua rotina. Janela adentro abriga psicodelias constantes. De repente um silêncio, procedido por um estranho diálogo...
Mulher 1: - Os brechós da Lapa são os melhores.
Mulher 2: - Não... de jeito nenhum.
M1: - São, sim! Aqui encontro as melhores peças...
M2: - Pois é, tem a Benê também.
Aqui o papo ganha uma velocidade somente comparável à uma maria-fumaça partindo de estação.
- Benê, Benedito Calixto... Grande Benê!
- É... Benê.
- Eu gosto das roupas da Benê. Tenho muitas amigas que são Benê! Você me entende, ?
- Claro, sou toda Benê também.
- É, você é bem Benê.
- Eu gosto de Benê.
- Eu já fui mais Benê...
- Olha essa calça. Benê!
- É, essa calça é bem Benê!
Eu, apenas observando a conversação quase metalinguística, interfiro:
- E eu?
- E você o que?
- E eu... sou Benê?
- Você é um pouco Benê.
- É, é sim, esse chapéu...
- É o chapéu é bem Benê.
- E a calça também, a calça é totalmente Benê.
- Eu devia mudar camisetas, aí ficaria mais Benê ainda.
- Nossa, pensando bem... você é muito Benê. É praticamente um daqueles poetas que ficam rondando a praça!
- Sim, os poetas são completamente Benê.

Sr. Benedito Calixto, peço desculpas pelo uso inadequado e exarcebado de seu nome. Não voltará a se repetir, espero.
Sábado paulista só é sábado paulista com chorinho, pastel e caldo de cana na Benê.
Ops! Oswald e Mário, cadê vocês?!

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