quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Marrom

Em vez de amor, dinheiro, fé, fama, justiça... dê-me a verdade.


Henry David Thoreau

Um segundo e... pop! você se dá conta de como está sendo idiota.
Não adianta, não adianta, não adianta! Preciso aceitar a solidão no mundo. Preciso começar a enxergar a realidade da vida. E entender os mistérios do corpo e da mente.
Entender que felicidade só é real quando é sua.
Entender as entrelinhas realistas de God, do Lennon.
E entender de uma vez por todas: everybody dies alone.
Ultimamente tenho percebido alguns detalhes medíocres do que chamamos erroneamente de "viver". Como me irrito facilmente com a falta de senso, educação, inteligência e atitude do ser humano. Sim, a realidade é essa. Seres humanos são dotados de inteligência apenas para perceberem o quanto a dispensam.
E tenho aqui comigo um dos mais nobres sentimentos existentes. É tão nobre que só é comparado ao seu antagonista (o qual desacredito e desprezo completamente), o amor (vulgo paçoca).
É tudo uma questão de aceitação. Aceitar que eu sempre vou ter que conviver com um cérebro maluco, aceitar que sempre vou precisar de remédios (mesmo não querendo tomá-los), aceitar que não há ninguém além de mim mesmo aqui dentro e ainda assim criar vários eu's que só complicam a vida.
Pois, sim. Minha maldição voltou.
E neste momento tudo que sinto é o ágape negro.
Há dias me vem à mente: Quem inventou essas história de que somos todos iguais? Não, não somos todos iguais. Não consigo ver igualdade na burrice, na intolerância, na riqueza, na religião, na política, no meu eu interior. Há pessoas que são maiores que as outras, sim. Há pessoas melhores que as outras, sim. Só o destino se mantém igual: todos terminam em um dos quatro elementos. Nossa única escolha pessoal.
Dizer tudo isso não faz de mim um arrogante, faz de mim apenas um realista. Aceitar que o mundo começou em meio ao lixo e dele nunca vai sair é a forma mais fácil de continuar... E quem não concorda com isso é hipócrita, simples assim. E é deste adjetivo imundo que tento agora me livrar. O substantivo da escória humana chamado hipocrisia.
Cansei de ser algo aceitável. Estou aqui para burlar e me impor. Deturpar e denegrir. Eu não sou uma extensão dos meus pais!
Eu sou alguém: respiro, tenho opinião e (a falsa impressão de) liberdade. É o que importa. Não vou gostar de nada/ninguém para manter boa postura. Vou fazer só o que eu quero.
Sou um ser inacabado e na falta da minha sanidade encontrei mais respostas que na sua aceitação cabisbaixa.
Cansei de acefalia, cansei de puerilidade.
Cansei de coração e alma. Eu quero os ossos.
Eu quero o cinismo dos puros.
Nos ossos eu encontro verdade. E quando tenho verdade, sou feliz.

Meu direito é reclamar. E vou fazê-lo sempre que necessário.
Enquanto isso, continue aí com sua vidinha. Finja que nada está acontecendo. Afinal, sempre é bom manter nossa hipocrisia em dia, não?
Que me sigam os maus (na vida). Nas redes cometi suicídio. [Graus de futilidade e arrogância altíssimos para a sobrevivência humana]

I'm the only god I'll ever need. Fuck the people.
E que o resto exploda.
Só 90% é mentira.

1 zascandil:

AN disse...

sentados à mesa, os homens sabem utilizar os talheres. separam os desejos gastronômicos em pilhas invisíveis, e engolem todo o dejeto com prazer. os homens, sentados à mesa, olham-se uns aos outros para tentar compreender sua língua; encontram um futuro distinto e percebem-se em trajes fúnebres - para celebrar um luto silencioso. na qualidade biológica, o homem não senta à mesa: sua maior idiotia foi experimentar da ideologia e depois querer dormir em uma caverna.
não há motivos para se culpar - nunca existirão motivos. levantar-se da mesa e jorrar hospitalidade ao frio, é uma prática rara. acostuma-se a entender a figura animal como morta, para desligar-se das práticas antropofágicas.
saiba que só a antropofagia une. apenas o mastigar das entranhas, nos dá a sutileza necessária para compreender a linfa. aquilo que percorre o cérebro é a farsa que nos perturba o paladar: nenhum homem é mais servido à mesa de outros homens - e isso nos causa lacunas mentais.
o altruísmo é a maior figura do egocentrismo; quando o jogamos fora, pertencemos, por fim, à um caos palpável.
agora, só 10% é invenção (: