É isso.
Não dá para escrever quando se tem tanto e ao mesmo tempo tão pouco (tampouco posso ficar calado... ainda).
Dois mil e onze tem sido um ano simplesmente diferente para mim e todos que vivem ao meu redor. Coisas vêm acontecendo tão rápido e ao mesmo tempo tão intensamente que não consigo controlar sentimentos e sensações. Dói, mas sei que é tudo passageiro. Dói, mas é tudo parte do processo de realidade, realizar a verdade da vida, levar um choque de maturidade ou de puerilidade, nunca se sabe.
Já me apaixonei algumas vezes, admito. É algo natural sentir algo além do ordinário por outro alguém, exceto quando é prejudicial: modalidade da qual sou praticamente um professor. Admiro a possibilidade de algumas pessoas em apertar o delete mental com tanta facilidade quanto a tecla insert. Queria que a vida fosse mais digital. Queria que a vida coubesse numa caixa, da qual pudéssemos nos livrar a qualquer momento.
Apaixonar-se - infelizmente para mim - é como fumar. Você não nasce sabendo tragar, nem ao menos segurar um cigarro, e quando se vê, já conhece todos os truques e artimanhas da diabólica arte. Desde sempre há uma cultura desenfreada de adoração / censura ao fumo. Se por um lado nos deparamos com filmes, novelas, propagandas do calibre too cool for not to smoke, ensinando que é tudo divino, maravilhoso e do outro lado do muro encontramos a Igreja, a família e tudo que há de mais ditatorial neste mundo caótico. Você precisa escolher um dos dois lados. Mais cedo ou mais tarde sua curiosidade será invocada e uma - e talvez única - tentativa de fumar lhe toma.
Para os que decidem continuar nesse caminho, não basta apenas o ato: a postura, o "lifestyle fumante" é importante também. Logo adquire-se o o costume, e com ele, o vício. Muitos dirão "é péssimo para você", "saia dessa vida", "diga não às drogas", entretanto seus ouvidos se fecham para tudo, afinal o que importa no mundo é você e seu cigarro.
E um belo dia, há o choque de realidade, o tal momento em que você se depara com um caso parecido com o seu, acompanhado de um final trágico. Ou alguém lhe força a ver a verdade da sua relação prejudicial. Nesse dia há o choque. Novamente aparecem duas alternativas: ou se tenta largar de vez o vício ou o aceita como é e vive-se uma vida infeliz. A segunda opção é a mais fácil, sem dúvidas, não há necessidade de mudança, é tudo resolvido com um simples conformismo, é tudo um simples "c'est la vie".
Caso se escolha a primeira opção, nenhuma onda de felicidade lhe é dada: há sofrimento e há dor, sejamos sinceros, por favor. Toda vez que se coloca um cigarro entre os lábios há dor, toda vez que se tentar largá-lo, há sofrimento. E vice-versa.
Não se pode sentir falta do que nunca se teve, eu diria, de forma bem empirista. E logo quando se teve, a abstinência é dolorosa, enlouquecedora. Os decididos chegam lá.
Apaixonar-se é como fumar: você parou há anos, mas só um simples contato com o obscuro objeto de desejo e tudo volta, como um tsunami. Arrebata tudo e ganha o frescor da primeira vez, tudo novo de novo. Todos os esforços, os meses, os remédios, as perdas se tornam inúteis. Tudo é vão e em vão.
Meu problema foi ter parado, ter tido minha recaída e ter sofrido tudo novamente. Em todos os aspectos dos assuntos acima tratados.
Ontem recebi um algoz. Ele me prometeu futuro bom.
E quebrei meu tratado de paz com o eu interior. Os pássaros negros estão soltos e a qualquer momento vão dilacerar meu peito em busca de lugar pacífico, longe de mim. É a roda girando delirantemente. É meu muro sendo destruído e assisto a tudo de camarote em meu sofá.
Vou superar (mais uma vez), vou resistir (mais uma vez) e vou me render (mais uma vez), porque essa é a lei do mais fraco, é meu paradigma, meus círculos opostos que sempre se encontram no final.
E, por fim, o que resta agora é isso:
1 zascandil:
quando montamos engrenagens dentro de nossa cabeça, sempre acabamos por expurgar uma atrás da outra, ligadas à uma veemência quase cega. depois de muito enfileirá-las, encontramos a necessidade de move-las. o problema das nossas engrenagens, jovem pandora, é que nenhuma delas irá girar. arde a carência de uma força genitora, que manipulará - em um efeito crônico - todas as outras engrenagens.
uma peça sempre pertencerá à outra, mas nenhuma irá pertencer ao todo. só depois de enfileirar as protuberâncias metálicas, acabamos por decidir o que queremos mover. normalmente, quando tomamos a decisão, só nos resta um passo adiante do vácuo: ao menos nesse momento, a respiração não será uma dor...
seu paladar ao texto tem um outro gosto; isso é bem interessante (:
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