sexta-feira, 10 de junho de 2011

23h

Eu não queria voltar sozinho, e agora é meio tarde para voltar, de qualquer forma.
Não sei como explicar isso tudo que acontece com a gente: não tem jeito e não quero criar hipóteses.
Só sei dizer que é bom, me alivia a dor, me altera o sono. Me faz ter experiências estranhas.

Teus traços me guiam até você. Traços de nanquim, traços de carvão. Na ponta do lápis encontro saudade.
E nas tuas mãos, encontro calor. E caminhos tortuosos que me levaram até aqui.
Até você.

Olhos tântricos e dissipados que me encantam. Sejam verdes, sejam mel.
E tantas alcunhas que não definem bem o caráter exato de teu ser mutante. Faça jus ao teu nome: torna-te inverno, esquenta-me e me tome.
Lá no alto eu te amei.

Sobre os pés dos meus amores, sob as mãos dos meus amores.
Mãos que chamam, conversam por sinais. Mãos cortando atalhos.
Não ranja os dentes: aquece-te.

Usa teus instintos, tua intuição. E me faça feliz.

É tudo tão bonito e delicado... sem a selvageria moderna, o orgasmo apressado...
Parece um filme. Afinal, somos um?
Eu sou nós, definitivamente.

E que venham mais olhares, mais bocas secas, mais palmas da mão.
Eu só quero aquilo que me liberta, mas me nutre.
A vontade só aumenta?

E então, a primeira coisa que vi foi você: teu corpo, teu sorriso e teu frio.
Esta década será boa... feita de 23 horas ininterruptas.
[que seja fria enquanto dure]

2 zascandil:

AN disse...

agora era a hora de definir o traçado monumental que completava meu arco de felicidade. houve, porém, que eu havia recitado o conjunto, e não a unidade: dispensar a sua presença ali, deitado junto à cama, era como negar a faca que nos sangra a cada manhã. fatigante também foi exacerbar seu nome, pelo viés de seus limites. você morreu por sua antagonia, e eu, por minha felicidade. bons sejam seus vinte anos, caro perseguido geminiano

Di disse...

Meu texto favorito. PUDE ENTENDER TUDO!