sábado, 14 de maio de 2011

Porcelana e madeira

Escrever é preciso. É preciso escrever, pensar, escutar, apaixonar. É preciso navegar, afundar, mergulhar e morrer. É preciso respirar, sentir e chorar. E perceber.
É tudo preciso. Exato.
A vida é uma roda, como um ka... sobe como que ao céu, desce ao inferno e sobe de novo, sempre nessa linha infinita, porém com início, fim e meio. A contradição da vida é o viver.
Estou contradizendo há quase 20 anos. Dizendo minha verdade há quase 5 anos.
Este período é sempre estranho, rotineiro e detestável. Quando a cabeça gira e o corpo dói, o estômago quer vomitar e não pode. O coração deseja amar e não deve. É o passeio pelo inferno.
20 anos é relatividade. Podem durar como 20 séculos, como podem ser 20 minutos. É um tempo suficiente para se alcançar algo, ou não. É tempo de refletir se houve avanço, se houve encontro ou se não passou de tempo perdido, engatinho.
Quero descobrir isso bem velhinho...
5 anos passam numa velocidade inacreditável. Era o eu, era o dito, passaram amigos, lugares, pensamentos... e eis-me aqui, inteiro (?) e respirando. Evolução constante, tanta letras aéreas, tantas palavras enterradas, encravadas... ainda em mente, ainda na garganta.
Não quero a retrospectiva. Fujo do infugível eterno-retorno.
Será que ao chegar nessa maturidade tão precoce, tão falha, muda-se o próprio mundo? Era para ser o momento ideal, cuja dor não prevalece e que ainda se sonha (bem)? Ser adulto em um mundo tão pueril, tão hostil? É mais difícil que sobreviver à infância.
Vá então, há outros mundos além deste...
O que vem a seguir? Atrás de um mundo sempre vem outro? Atrás de uma constelação há outra? E dentro de um buraco negro... há luz?
Daqui em diante, sigo sozinho: Eu e minha liberdade. Eu e minha arte.
E levo você em meu pensamento. Afinal nasci como papel em branco (meu empirismo é a contradição).
As palavras vão se reciclando... algumas se perdem no meio do caminho, outras serão levadas ao extremo, até sua grande explosão, em milhares de palavrinhas novas, sem significados, sem memórias, sem sentido (e a semiótica arruinando minha vida).
O caminho é longo, mas rápido. Doi apenas como tatuagem em quarta-feira de cinzas, regozija apenas como beijo em noite de festa. É isso, roda-viva.
Viver é um delírio, mas tem lá seus deslumbres...
Eu me perco nos pequenos achados do caminho. E sorrio, pois sei o trajeto.

É tudo fugaz, e enquanto ardo, meu tempo é quando.
É efêmero.

5 zascandil:

Thiago disse...

Viver é um delírio, mas tem lá seus deslumbres...

Daniela disse...

Era o eu, era o dito, passaram amigos, lugares, pensamentos... e eis-me aqui, inteiro (?)

Mariane Lima disse...

Tudo acontece quando se tem 20 anos, fato.

A. disse...

você parece um belo personagem borgiano, haha

Henry disse...

Fico grato, Aleph!