(Eu, sonhador, louco de amor)
O tempo passa em velocidade estranha. Não é atemporal, não é veloz, porém a fugacidade dos sentimentos, dos valores e vontades o fazem parecer diferente, de certa forma superficial.
como uma onda como uma onda como uma onda como uma onda
O mais importante é saber que as estações passam, voam, metamorfoseiam. As minhas quatros estações entraram em recesso. Pelo menos, três. Três estações foram mastigadas pela Grande Estação, a que me dá os melhores momentos e também os mais dolorosos, afinal, paçoca boa é agridoce.
Minha objetividade me mata. A ironia também. Eis os fatos:
Verão! Sacrificou sua imortalidade quente por mim, maldito seja eu ("me afasto, disperso..."). Num ato de bondade hipócrita, tento um contato, uma aproximação. Tarde demais. Sou fustigado pelo seu calor arrebatador, Grande Astro-Rei. Queimado, saio ferido, me sentindo um maldito (seja eu!). Contatos imediatos, distância permanente.
Outono.
ama não ama se ama me chama ama não ama se ama me chama
Nossa roda-viva não para de rodar. As folhas secas ainda caem, e ainda sopra brisa leve que promete boa estação. Porém inevitável é a separação, a secura que dá no coração, por falta de irrigação, de vontade e de preparo. A rosa não foi cuidada, foi esquecida (ou seria apenas "deixada de lado"?). Triste e rejeitada, arrancou o sangue do Pequeno Príncipe, com seu espinho impetuoso. Sábia, disse a raposinha: "Foi o tempo que evitaste com tua rosa que fez tua rosa tão desinteressante". Eu diria má, de fato. A rosa decidiu deixar o pequenino, foi um ato pensando e conjunto! Não há arrependimentos. Vai-se a paçoca, ficam-se as migalhas.
(é) Primavera (te amo?)!
Não trago rosa
não trago amor
não trago.
Acabou. É simples assim: um sentimento, uma anti-correspondência e um afastamento natural. Não tem meio quero-quero patati patata oba-oba vai não vai. São fatos. Estamos quites. Não há dor, sem ardor, sem suor. Over.
Inverno. A Grande Estação. Agora eu sei que as pessoas se suicidam muito mais no inverno. Sua presença me é intermitente - sinto saudades, presença, saudades, presença. No jogo das cartas vi apenas espera. Esperei, tentando agir o mínimo possível, e você chegou arrebatando tudo (sem avisar), como é comum nesta cidade de América do Sul. Com seu tropicalismo discreto esfriou meus pensamentos, ao mesmo tempo em que me aquece. Sinto-me bem. Não há conversas, mas há troca. Pelo menos havia: ainda estou na eterna e obsessiva quimera de você me aquecendo para sempre. Há chances? Espera. Há luz? Espera. Tudo que posso fazer é esperar que você deixe de esfriar meus pensamentos e se torne algo mais que uma estação do ano... se torne todas! Quero sentir a primavera nos seus olhos claros, o verão na sua boca, o outono nos seus cabelos. De inverno só quero o calor dos abraços que me protegerão do frio.
Um tiê-sangue voa por aí. Cantando me une (talvez só me ilude)...
Espera!
Vou tomar um sorvete.
Lara, me encontre agora lá na esquina do hotel.
2 zascandil:
Gostei do novo estilo do blog :D
Obrigado, Arvin.
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