sexta-feira, 18 de março de 2011

Quatro estações

Fase difícil, não sei como desenvolver isso, ou sequer aceitar fatos. Ando meio desligado. O frio devia me fazer bem, entretanto sempre sinto que é estranhamente errado me sentir dessa forma ao estar coberto pelo vento gelado e protegido pela lã quentinha. Poesia barata. Nunca vou ser um cronista decente, enquanto manter essa forma pseudo-poética de lidar com os fatos da minha vida.
Enfim, são quatro histórias simples, relacionadas e autobiográficas. Quatro histórias adjacentes à principal, que me tomam em todos minutos a mente e me encantam tanto quanto me apavoram. Talvez eu devesse apenas falar da Superlua que me insiste em continuar na minha vida e que tanto amo, tanto sofro por. Talvez o momento de falar desta tal Superlua não é agora. Talvez alguém encontre graça, fique pasmo, se identifique ou (ironicamente) me entenda.

Verão. Sempre cuidando da minha vida, rotinando por aí. E lá vem você... Ânimo, felicidade e calor. E muito amor. Conversamos, rimos, compartilhamos segredos. Você e seus compromissos. Pausa: uma nuvem, outra. O tempo passa. Reencontro. Sol brilha de novo, agora com céu azul. E me adentro nessa viagem quente e precipitada ao Astro-Rei. Eu - signo de ar - sempre fico a espreita, pairando e avoado. Então, de súbito, você decide sacrificar sua imortalidade quente, para se aproximar de mim e finalmente tem um contato. Me afasto, disperso...

Outono. Nos conhecemos há anos. Típicos amigos, de mãos dadas, mãos atadas. O tempo passa, nos une mais, nos separa mais. Éramos três, somos seis. Sempre houve o desejo, nunca o ato. Em um belo momento de nossa juventude, uma abdução verde provoca o transbordar de sentimentos antes escondidos, antes evitados. Ficamos suspensos, presos a conceitos e preconceitos. Nada muda, há apenas o silêncio e a promessa de claridade ao fim da estação. Enquanto isso, as folhas secas caem no meu quintal...

Inverno. Naquele momento perfeito em que os ossos doem e o coração gela, vem você. Novidade simples e acalmante, me toma, me surpreende e me enlouquece. Fico pasmo com tanto poder de sedução. Minha mente esvanece e só há espaço para seu inverno, obsessivo, grandioso. Seu coração (também gelado) me evita, me esquece... me alimenta. Te busco em vão, me agarro em vão. Pois na minha obsessão, ainda presente, não vejo os defeitos de uma relação tão injusta (mas tão desejada, querida...). No meu inverno da alma, sonho com você me aquecendo para sempre.

Primavera. Sempre esteve ali, presente e intocável. Nunca fui muito avante, e nem desejava tal proeza. Só queria boa conversa e água à mesa. De súbito, passei a lhe ver com olhos maliciosos, me aproveitando da sua deliciosa malícia ingênua, de quem não sabe de nada. Lolitismos me encantam, me fazem ansiar pela beleza do romantismo sensual. Com pretexto pouco, desejo roubar sua beleza (pelo menos pouco dela, de forma compartilhada e discreta); com pretexto pouco, lhe toco os lábios, os olhos, os cabelos. Vermelho e preto. Erupção. Frio e calculista, mesmo tentado, me contento com tão pouco e me afasto, finjo eterna amizade. Mesmo sabendo que meu peito declara guerra a um sentimento tão fraco, perto do perfume das flores que vejo em você.

Em minha confusão, me confundo mais, querendo ter o que não se pode. Em minha liberdade, me aprisionei nos meus desejos. Preciso de resolução. Abraços partidos.

19. Renovação. Revolução.

Salve-me, ó, Susannah!

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