Estou trabalhando há alguns dias. É engraçado que depois de tanto tempo em casa, sem dinheiro e estudando, eu tenha voltado a trabalhar e imperceptivelmente, não sinto como se estivesse. Sinto faltas das horas vagas, mas é válido não tê-las. Já teria enlouquecido. São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo que não tenho tempo nem vontade de percebê-las, por isso acabam tudo passando tão rápido que acabo parecendo insensível. Tudo se torna indolor. Exceto a dor.
Meu querido Nino morreu há uma semana. Sofreu muito antes de partir e vi tudo. Não sinto dor pela morte (prematura) dele, mas dor pela dor dele. Seu olhos cegos antes do último e literal suspiro. Sua morte me abalou muito, mais que de qualquer outro gato. Afinal este foi meu companheiro por mais de dois anos: eu o fotografava, brincava, o detestava e tudo que fazemos com os pequenos seres que tomamos como nosso. Eu tenho sempre dito que estou preparado para morte: é uma mentira. Ela nos pega e chacoalha nosso mundo. O meu foi revolvido e tenho medo de nunca recupera-lo. Fico doente, perdido e sem motivação. Malditos animais de estimação! Não tenho muito o que falar, já não existe vida suficiente em mim para pensar.
Eu só queria uma vida lazer.
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