quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Kiwis

Tenho estado desaparecido há algum tempo. Não sei se há muito. Eu mesmo gostaria de entender porque tanta coisa mudou: vontades, vícios, vírgulas. Não escrevo mais como antes, tudo que me acontecia de "surreal" e também não vejo aqui minhas típicas epifanias cotidianas. A faculdade me toma tempo, me faz perder muitos detalhes, como aqueles filmes assistidos no cinema e que no furor do momento, perde-se toda a história. Meu filme está sem sincronia.
Estou sem meus remédios, tentando me controlar. Cansei de jogar toda a culpa no transtorno. Tenho transtorno, sim. Porém também tenho problemas, defeitos e manias. Sou humano, passível de erros. Como todo mundo, diferente de cada um. Um sujeito tosco e excêntrico. Gosto disso, da excentricidade: pueril, acredito que um dia serei conhecido como fotógrafo e escritor de excentricidades. Pobre de mim.
Estou com exposição coletiva no metrô. Acho tão maravilhoso ver uma fotografia minha, ampliada e disponibilizada para todos verem. É uma sensação única, mesmo sabendo todos detalhes, tons e composição da foto, sempre que possível a visito com um sorriso bobo, infantil. Sou um adulto com olhos de criança curiosa.
Ainda não estou trabalhando. Eu pretendia me mudar com meus amigos, comprar tantas coisas, viver mais. Entretanto é inacreditável como somos forçados a nos manter na cerca da nossa fazenda. Eu tentei fugir várias vezes, mas sempre tem um capataz me trazendo de volta para esse maldito lugar. Sou obrigado a odiar o mundo por dar valor a um pedaço de papel. A vida é mais do que isso, tem de ser...! Entrementes, vivo meus dias sem obrigações sociais com prazer: consigo um ou outro bom momento econômico e aproveito a vida livre enquanto ela ainda me existe. Um dia vão me calar para sempre.
Comprei um moleskine. Não, em momento algum o comprei por ter sido usado por famosos escritores ou pensadores, apenas pela praticidade. Sim, podem dizer que sou fútil, materialista ou sinônimos, mas eu preciso tentar fugir da cadeia moderna (chamada internet), tentar escapar, viajar mais do que o usual. Você pode ter todas as redes sociais do mundo, porém nada se compara com uma caneta e um papel. Ou uma máquina de escrever.
Estou bem, acredito. Tendo altos e baixos e sempre mantendo a minha eterna dualidade de amor e ódio por todos. Essas pequenas atitudes me mantém como pessoa. Eu tinha uma psicóloga e desisti dela por estar me perdendo. Eu me encontro no caos. E ninguém poderá mudar isso.
Ainda sou enganado, algumas pessoas me oferecem paçoca, quando aceito é apenas pó de amendoim. Ficarei atento.
E vivo enquanto respiro.

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