sábado, 2 de outubro de 2010

Par de luvas

Estava eu caminhando pelas ruas de São Paulo, o frio na pele, o sorriso no rosto, quando retirei as luvas para ajeitar o casaco. Sem querer, deixei cair uma das mãos e continuei minha caminhada pela rua vazia. Após andar aproximadamente cem metros de onde a deixei cair, percebi o feito e parei de súbito. Olhei para trás e vi um senhor velho, baixo e sujo - que há pouco passara por mim - "roubando" minha luva. Fiquei nervoso e pasmo. Naquele minuto, tudo me veio à mente e nada fiz, a não ser olhá-lo ir embora com minha querida luva estilo James Dean. Como as pessoas podem ser tão secas e cruéis a ponto de tomarem uma de suas luvas e não devolverem? Aquilo me trouxe muita fúria. Tanto eu quanto o ladrão nada poderíamos fazer com apenas uma mão de luva, a não ser que conhecêssemos alguém maneta, o que obviamente não é meu caso. Acontece que eram minhas luvas, meus bens e me senti triste e sem motivação para viver, apenas por dois pedaços de pano com cinco dedos cada! Fiquei perturbadíssimo com isso, afinal qual o nível de depressão que uma pessoa se encontra ao valorizar mais as luvas do que a própria mão, a própria vida? Estranho. Realmente estranho. A vida se esvaiu, mas era o momento de eu me separar daqueles protetores de mãos, se ocorreu isso. Se não tivesse sido com aquele velho, poderia ter sido de forma mais trágica... Melhor assim.
Por fim, dei um fim digno para a luva que me restou.
A rasguei de tal forma que ninguém poderia usar, nem mesmo um maneta.

E farei isso com qualquer coisa que valha mais que minha vida. Prometo.

1 zascandil:

Priscila Tavares disse...

Henry meu querido tem um selo pra vc no meu blog http://euachoquevoupraboston.blogspot.com/ passa lá pra pegar!
Beijos