Hoje eu pensei: sou um natural born fucker.
Queira dizer o que quiser.
Sai com minha irmã e minha prima de Minas Gerais que está passando férias aqui. Foi um dia muito divertido, especialmente por sempre que saio com minha irmã, descubro um pouco mais sobre ela. Isso me alegra. Minhas consultas na psicóloga, de alguma forma estão criando um laço afetivo maior com minha família, laço que quase não existia. Acho que estou ficando fraco...
Eu vi um casal hoje. Estava no metrô, cansado, voltando para casa, quando em outro trem, em outro vagão, vi dois rapazes, por volta dos 17 anos, de mãos dadas. Achei aquilo tão fantástico, tão simples e maravilhoso. Dois rapazes, bonitos, cheios de carinho e sem nenhuma malícia, conversando de mãos dadas. Ninguém os olhava com desaprovação, com desgosto. E não havia nada de caricato neles, como vemos nos jovens homossexuais atualmente. Eram puros. E me senti feliz por ter visto isso.
Eu não tenho gostado de meu atual estado psicológico. Andei conversando com minha psiquiatra, ela diz que estou de humor totalmente estabilizado. Concordo sobre isso, não tenho mais crises, não me sinto mal, nervoso ou triste. Há apenas eu. Eu. Apesar de isso ser uma boa notícia, sinto falta de palavras. Eu não sobreviveria sem escrever, e escrever agora, costuma não ser tão prazeroso quanto antigamente. Eu preciso de um pouco de tristeza para pensar, um pouco de frio em minha mente sempre tão acelerada. Preciso de ar. Sempre. Vejo os textos, as obras literárias de outras pessoas e fico admirado como todas as palavras parecem se encontrar, numa bela dança de encontros, despedidas e encaixes. Não vejo isso em minhas palavras e isso me provoca, me desanima. Não sou quem queria ser, quem eu queria escrever.
Escrevo torto por linhas invisíveis.
Tenho saido com Joice e Carol. Duas pessoas que me completam, cada uma de sua forma. Me sinto mais puro ao lado delas, mais ingênuo para o mundo. Não sei até que ponto isso é bom.
Em algum momento do meu passado aqui, escrevi que acredito na assexualidade. Sim, eu acredito. Gosto do fato de não olhar para ninguém com vontade de possui-la, tomá-la como minha. Não se cria laços com quem se ama. Amor é o "deixar-se livre". Eu amo quando liberto. Eu liberto por amar o fato de que cada um tem sua própria prisão. Homens e mulheres me encantam. Os vejo como seres lindos, sensuais e inteligentes. Mas tomar um desses seres para si é aprisionar-se numa série de regras, deveres e uma sensatez que eu, como ser de pura liberdade mental, não aguentaria para mim. Sou livre por ter a liberdade de o ser. Assunto delicado.
Preciso trabalhar, a rotina é estressante, mas me permite viver numa prisão aberta. Estou com saudade de mim.
Hoje pensei tudo isso, e sempre estou a pensar. A vida devia ser mais do que isso, sempre deveria ser. Sem almas gêmeas, sem amor à primeira vista. Sou um fucker, um loser, mas prefiro esses adjetivos do que viver de olhos fechados. Viver é fácil, quando se tem os olhos fechados, palavras de McCartney e Lennon.
1 zascandil:
Também acredito na assexualidade, tal e qual.
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