Bons ventos, este mês. Passei meu dia dos namorados (no qual não acredito) com Ane, Marina e Thiago. Três pessoas. Três diferentes graus, diferentes sentimentos. Reencontrei meus amigos de USP, pessoas iluminadas, sábios. Era um dia frio, então fui a um lugar para ler um livro. Ouvi Caxangá com a Marina. Francesa linda, olhos profundos, voz de arrepiar. "Mas não sou eu quem vai aproveitar, né, neguinha?". Elis grita ao lado de Milton, estava grávida. Me arrepio. Thiago e as fotografias. "Queime-as!" Eu rio. A Benedito Calixto animou aquele dia, com seu chorinho maravilhosamente paulista, seus doces para esperar marido e vacas dentro de lojas. A maconha foi proibida, mas quem precisa disso quando se tem caldo de cana? Ane e sua beleza quase de porcelana, os objetos tão antigos, tão delicados como óculos azuis. Um dia frio, uma tarde quente, uma noite fora dos padrões. Um dia na vida, que se repita, por favor.
Fui à minha psiquiatra por esses dias. Conversamos sobre todos assuntos que aqui já foram revelados. Novidade? Sim, serei acompanhando agora por uma psicoterapeuta, também. Agora, terei alguém em quem descarregar todos meus dies irae e absurdos e patifarias e loucuras. Tomara que ela aguente... precisa ser forte.
Meu ensaio fotográfico do semestre foi Intervenções Urbanas, selecionei minhas fotografias, as apresentei e me orgulhei por fim, queria ter dito, mas as palavras me faltaram... meu maior feito durante este ensaio foi ver que todos começavam a ver. Ver aquilo que sempre existiu, mas nunca fora reparado, detectado na velocidade da cidade. E que vendo, tudo que eu fiz era certo, era mágico. O amor foi importante, porra.
Piada: O que são dois rapazes e uma garota estudando Sociologia numa pizzaria em dia da semana? Resposta: Três fotógrafos que tentam evitar o jogo do Brasil na Copa do Mundo que acontece ao lado. Detesto patridiotismo.
Reencontrei um texto de antes do meu aniversário e da minha demissão. Leio com ar irônico:
Ando perdido ultimamente, meio tonto, meio fora de nexo. Desconexo. Sinto falta das tardes livres, das matérias odiadas. Falta dos amigos, dos inimigos. Falta dos desenhos do tempo em que eu não sabia que o mundo era muito mais que apenas minha casa. Talvez a vida depois dos 18 seja feita de saudades. Tempo perdido, momentos únicos, esquecidos.
Ando perdido ultimamente. Prestes a completar 19 anos, cretone, sem grandes alegrias, com a mente embaraçada como um baralho de dois naipes. Queria a indiferença de vida do Thiago, a superficialidade da Letícia... talvez o não-pensar seja minha solução...
Meu espelho é reflexo de outro, só pode ser!
Entendeu?
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