quarta-feira, 9 de junho de 2010

Saldo

Hoje é um péssimo dia, revelei algumas fotografias em um lugar deplorável, eu gastei dinheiro com passagem tendo bilhete e cheguei em casa e a TV estava consertada. Eu detesto TV, detesto essa porcaria que deixa as pessoas mais burras, e sempre acreditam estar mais inteligentes. Mentira. Há tempos não escrevo aqui, pela tendinite, não, não estou completamente bem, estou 98% bem, mas ainda estou fazendo fisioterapia, levando choques, e enquanto levo choques, acrescento mais conhecimento à minha cabeça oca. Me chame do que desejar, arrogante, idiota, enfim, não me importo. Estou péssimo. Quero ficar uma hora conversando com aquela mulher que eu chamo de psiquiatra e que finge me entender. Quero desaparecer.
Ontem, sem querer, li um texto que minha irmã escreveu sobre a escola em que fizemos o ensino fundamental. Bons tempos, aqueles em que eu ia à escola das 15h até 19h. Tempos em que conheci a Arianne, tempos em que não conhecia a malícia do mundo. Tempos em que eu só sabia do hoje. Isso não volta mais.
Anteontem, li algumas doces palavras do Ricardo, um amigo único, pelo qual sou apaixonado eternamente, admirado com a sensibilidade e maravilhosa sabedoria infantil. Ele disse gostar de meus escritos e ainda me elogio com um "você é de muita arte". Tenho medo de magoá-lo escrevendo tantas coisas ruins. Meu blog é para me lembrar das cicatrizes, sejam boas ou não, isso não é uma lata de lixo, é minha arte.
Estava eu relendo os post recentes, é tão estranho ver algo que foi escrito por mim há tão pouco tempo e não me reconhecer naquelas palavras, duras e amargas. Conversando com uma amiga da faculdade, Eugênia, ou como a chamo, Gene, percebi o quão iguais somos em nossas neuras e manias. Ela também tem transtorno bipolar e em um dia de átipico na faculdade, conversamos sobre nossas vidas tão parecidas em realidades tão diferentes, foi bom, foi excêntrico. Eu queria saber ser normal, saber amar, saber o gosto de ser. É impossível, eu sei, é impossível.
Por favor, respeitem minhas opções, meus paradigmas. Não como carne, não faço sexo e não sei ser diferente. Respeitem isso.
Outra amiga da faculdade, a francesa M. Decourt, uma bela mulher que escolheu viver com outra mulher. Falávamos sobre mim, sobre minha assexualidade e ela acabou dizendo: "preciso arranjar alguém para você, não qualquer pessoa, mas a pessoa, aquela que você acabe brigando por discutir política". Podem parecer palavras alegres e fúteis, mas me fizeram refletir. Eu realmente sonho com um ser desse jeito, e por ser assexuado, por não desejar ter ninguém (até porque não quero ser dono de ninguém), aceitaria uma mulher ou um homem quando qualifico aqui "ser". Esse ser, pelo qual brigaria por política, seria perfeito. Eu me completaria com alguém de tamanha loucura. Uma pessoa fora dos padrões, que detestasse TV.
Não suporto mais meus pais. Estou farto dessas pessoas que para mim, são estranhos.
Desde meus 9 anos, já me apaixonei muito. Muitas pessoas adentraram meus olhos, meu cérebro, mas algo eu garanto, apenas uma ou duas realmente me tomaram o pensamento. Acertei meu relógio e digo, só amei a Helen, a primeira das pessoas por quem me apaixonei, e meu Amor Ferroviário. O resto foi passional, o resto foi ilusão para completar uma lacuna sempre existente. Foi para fugir do imaginário que é o meu real em tempo integral.
Detesto olhar outros olhos e não me encontrar neles. Mas sempre foi assim.
Tenho 19 anos, sou um doente mental e acredito ser incompreendido. Sou arrogante, finjo não saber e uso meu narcisismo como forma de arte. Finjo ser artista, e erroneamente, usualmente, acreditam em mim.
Preciso ressuscitar o Henrique, e garanto, ele voltará no primeiro dia, deixará muita gente no segundo lugar.
Só tenho uma pergunta a fazer: se eu morresse agora, quantas pessoas dariam por minha falta?
Eu tenho um palpite.

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