Primeiro ato:
Não tem oi, muito menos tudo bem.
Já que não teve tchau ou uma guerra declarada - daquelas que, de costas os cowboys davam quatro passos e apontavam suas armas - eu vou escrever como se tivesse falado ontem com você. Mas não falei.
Não falei nem ontem, nem ante-ontem... Nem nos últimos meses e quando falei, foi assim, pelas "comic sans", "arial black"... logo eu, logo você ,logo a gente que é apegado ao passado, ao velho, ao que vai contra as relações high-tech: são frias, bobas e chatas. CHATAS!
Não quero ser sua amiga de MSN, não quero mesmo, até porque numa escala de chatice, eu atinjo o ápice quando estou on-line.
Henry, quero falar com você, mas não quero falar por e-mail. Vou te ligar, me atende.
Não sei mais seus horários, mas vou tentar até conseguir.
Sinto muito sua falta e sinto mais ainda, falta de quem eu era com você.
Por mais que você tenha seus amigos e sua vida movimentada de um universitário e esteja "defecando e caminhando" (no bom português: cagando e andando) para o que um dia foi nossa amizade eu quero conversa, com voz, pelo menos.
Também não vai ter tchau, muito menos beijos.
(pausa para tomar um ar fresco)
Segundo ato:
Sei que tá você chateado comigo e não é à toa. Não cumpri minha promessa.
Estou passando por uma fase nova, que até então, eu desconhecia. Quem vê de fora, pode achar que é apatia. Talvez até seja um pouco. A vida de gente grande traz uma boa dose de empatia.
Sorrisos escondem surtos. Sorrio e falo com bom humor, porque prefiro isso, a tornar-me uma pessoa ranzinza, “casmurra”.
Não sei qual é o meu problema. Estou na faculdade que gosto, meu trabalho não é o que planejei para minha vida, mas paga minhas contas e me ensina muito; meus amigos estão distantes, assim como você, mas tenho a consciência de que me afastei. De vez em quando faz bem, sabia? Essa solidão necessária...
Só pra amenizar a sua raiva: eu também estou com raiva de mim. Não gosto do reflexo do espelho e do que estou me tornando. Eu não sei o que estou me tornando.
Estou me reinventando, como no poema da Cecília Meirelles: A vida só é possível reiventada.
Te peço desculpas por não cumprir minha promessa. Não foi nada digno.
Eu sou humana, tenho defeitos horrorosos...
Meu carinho por você é sincero, geminiano de codinome Henry.
Eu realmente espero que você possa me desculpar de coração. E se isso acontecer, me avise.
PS: "Nunca houve dois corações mais abertos, nem gostos mais semelhantes, ou sentimentos mais em sintonia", Jane Austen.
Ato final:
Henry está disponível?
E aí... Como você tá (o que tem feito, por onde tem andando.. sabe como é, as novidades)? Tá gostando do seu curso? Quero ver o portifólio!
Você ainda está chateado comigo! Está frio, seco, me tratando com desdém.
Só queria pedir uma coisa... que quando você acordar com um humor mais feliz, tirasse um tempinho pra pensar se eu mereço ser tratada com toda essa rispidez e desdém. Independente da sua resposta, gostaria de saber. Se for afirmativa, nunca mais te importuno.
Desculpa por gostar de você e por não ser perfeita: é o que tenho para hoje.
Henry, me desculpa. Nunca foi e nunca vai ser minha intenção te magoar! Jamais! Eu acho você um cara fantástico, surreal. Me encanto com o modo de você defender aquilo que acredita e mesmo querendo parecer não ligar, liga para as pessoas e sentimentos! Sentimentos, coisas que não podemos pegar, ver, que sentimentos, que damos de graça, sem esperar nada em troca!
Se eu fico começando essas conversas é porque gosto de você e senti que as coisas não estavam muito bem...
Foi só por isso.
Porque eu me importo.
(uma hora de silêncio, por favor)
2 zascandil:
bravo.
muito bom!
essas pessoas mereciam o perdão só por saber escrever.
Já perdoei muita coisa...
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