sábado, 19 de junho de 2010

Aos Meus Amigos

Depois de tanta procura, tanta espera, tanto interesse comedido, encontrei o livro. Era outono, caminhava com Tamires e Danilo, para variar, quando eu o vi. De súbito, procurei meu dinheiro, levei o presente feito criança boba e guardei no baú. Só comecei a lê-lo há duas semanas e já me surpreendo o suficiente para dele comentar aqui. É inacreditável como cada linha, cada personagem, me lembra minha própria vida, meus próprios amigos. Quando assisti à minissérie de Maria Adelaide Amaral, já ficara tentando apenas por aquela atmosfera nostálgica, a trilha sonora repleta de músicas pelas quais sou apaixonado, desde Elis até Milton. Porém, agora que estou naufragado na leitura do livro, me surpreende que, assim como eu fizera algum tempo atrás, de dar nomes dos meus amigos às pessoas que interpretaram os personagens do livro, vejo que eles realmente tem suas características e que tanto fisica como psicologicamente, se tornarão um pouquinho deles no futuro. Isso é assustador.
Me vejo no protagonista, Leo, por sua obsessão pelos amigos, o único que realmente os valorizava, todos, de forma igual. Sua arrogância egoísta, o desejo de ser tudo e nada ao mesmo tempo. Seu suícidio, depois de um fim depressivo, um ponto final, ou até mesmo reticências, já que uniu todos seus amigos, pelo menos em seu velório e enterro. Assim como Lena e sua deterioração, sua amizade quase que eterna com Leo, me recordam Arianne; Lúcia e sua sabedoria e altruísmo, Ane; o socialismo do Tito no Márcio; a publicidade e indiferença do Rui no Thiago, o Araújo; a acidez e classe do Beny, no outro Thiago, o Valgas; a astrologia e misticismo da Bia, Letícia; e todos os outros. Raquel no meu mundinho particular é Brunna, Ucha se chama Camila, Ivan é o Bruno, Flora é Gabih, Pingo é o Edu, Caio seria o Tito e a Juliana... bem, ela sempre me lembra o Adonis.
Espero que um dia todos possam ver um pouco da vida com os meus olhos, e que possam entender o que é a amizade. Espero que um dia leiam este livro e que entendam o que ele representa. Os sentimentos que guarda. A única coisa que me resta, para terminar com esse momento bobo e melodramático, é ressaltar a música de Oswald Montenegro, A lista: "faça uma lista de grandes amigos, quem você mais via há dez anos atrás (pleonasmo), quantos você ainda vê todo dia, quantos você já não encontra mais?"

Bom, é isso, fica a dica. Considere este texto uma grande homenagem aos meus amigos.

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