segunda-feira, 7 de setembro de 2009

100 dias com Ela

O domingo podia ser um dia como outro qualquer. Os mesmos programas, as mesmas caras e bocas - o tédio de sempre com duas pedras de gelo. Entretanto uma conversa tornou o dia totalmente diferente. Você deixa de assistir seus filmes prediletos e parte para uma conversa via. Claro, algo bem moderno, mas ao mesmo tempo, parecia que estávamos tomando chá na varanda da casa de campo...
Éramos eu e ela. Eu, geminiano nato, confuso e cheio de dúvidas sobre o mundo. Ela, geminiana louca, decidida e perdida no mundo em que vivemos. Assim, do nada, nosso bate-papo começou. Acredito que não tenha começado nesse domingo, na verdade começou da primeira vez que nos vimos, naquele cinema da rua da Consolação. E veio se delongando até hoje. Ironicamente, eu estava a assistir Jesse e Celine, o casal filosófico do Linklater. E nossas temáticas eram envoltas pelas mesmas do filme. E realmente era como um filme. Trocamos segredos de Estado, prometendo não contá-los a ninguém. Falamos sobre amor, vida, amizade e alguns assuntos em detalhes involuntários. Divagamos sobre relações anteriores e as de ainda porvir. O Ano do Sim e as tentativas do não. O ka. Sempre acreditei no ka, só ele para por duas pessoas tão parecidas em gostos e ideias no mesmo caminho.
Eu ria alto desse lado do monitor, pensando e agindo feito idiota. Já ela eu não sei, parece mais sensata que eu. O horóscopo acusa: duas pessoas que nasceram no mesmo mês, no mesmo ano e em [ ] estão no ano de "plantio" daria nisso mesmo. Plantemos nossos futuros frutos para uma colheita boa.
O que mais admiro nela é essa loucura fácil como a minha - de querer tudo para agora. No hoje e quando, como ao contar-me histórias de sua infância... Tão menina, tão mulher. E nessa loucura instantânea acabamos combinando viajarmos juntos. Eu nem me aguento de tanto euforia. Viajar - olhar aquelas paisagens bucólicas dentro de um trem, a melhor companhia ao lado, rindo junto, cantando alto. Eu sinto tanta alegria no peito que não me compreendo, parece que até já vejo o nosso filme, com a trilha sonora e fotografia. Dois pseudo-mochileiros viajando com um destino que só existe nos planos, vivendo como Alexander Supertramp, cantando como Eddie Vedder. E ao fim, uma dança na praia, comemorando o início de. Doce quimera.
Hoje conversamos mais e descobri mais, como era de se esperar. As figurinhas parecem nunca esgotar, nunca falta assunto. Naturalmente me encontrei no outro e agora, um pouco mais felizes serão os meus dias restantes de. Posso demonstrar-me precipitado, louco, idiota ou qualquer adjetivo que lhe caiba para estas palavras, mas eu só poderia acabar parafraseando a fantástica Jane Austen: "Nunca houve dois corações mais abertos, nem gostos mais semelhantes, ou sentimentos mais em sintonia".

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